Vamos falar sobre política

Vamos falar sobre política

Sou de direita!

Sou de direita por acreditar na liberdade individual.

Sou de direita por acreditar que um estado grande demais, mais atrapalha do que ajuda.

Sou de direita por acreditar que o dinheiro deve ser do povo, e não do governo.

Essas são as principais e únicas razões pelo qual me considero, economicamente falando, de direita. Mas antes de me aprofundar mais no assunto, deixo claro que não apoio Jair Messias Bolsonaro, e nem quase que a totalidade desses que andam defendendo a direita por aí. Não gosto do MBL e nem desses partidos que usam o rótulo de direita mas continuam fazendo a mesma e velha política de sempre.

Mas apesar da minha opinião política econômica ser bem definida, convivo com uma realidade muito triste: a grande pobreza desse país. Com a Trupe do Riso, temos visitado várias comunidades bem carentes e lidado com crianças que vivem uma realidade que eu gostaria que não existisse. Crianças que crescem desacreditando na possibilidade de uma vida melhor. Desacreditando que um dia poderão viver em um lugar melhor, ter um emprego que pague bem e muito menos que um dia poderão frequentar uma faculdade. E infelizmente, eu sei que se o país seguir por uma linha que dê cada vez mais liberdade à população, a única pessoa que cada indivíduo estará disposto a ajudar será a si mesmo.

Então você deve pensar por qual motivo eu não apoio a esquerda de uma vez, e luto por mais trabalhos de inclusão para melhorar a vida dessas pessoas. Primeiro e principalmente, porque não acredito que surgiria um político disposto a fazer isso de verdade sem que ele ganhasse nada em troca (seja enriquecer ou dar um jeito de se manter no poder para sempre). Mas também por olhar para a história e saber que não há dinheiro suficiente para fazer isso. Para investir em mais programas sociais, o estado precisa arrecadar mais (e vamos combinar que nosso governo já arrecada além da conta). Para arrecadar mais, precisa aumentar os impostos, o que traz uma série de problemas junto: o preço de tudo aumenta, então o dinheiro que o estado dá ao pobre já não faz mais tanto efeito; a aquisição de produtos de formas ilícitas aumenta; o poder de compra do cidadão diminui, diminuindo o dinheiro em circulação e prejudicando a economia nacional; e ao prejudicar a economia nacional causa-se desempregos e aí tudo piora mais ainda. Enfim, programas sociais precisam existir, mas com o pé no chão.

Nota: a mudança de assunto a seguir tem um fundamento:

Há um tempo atrás, estava em um McDonald’s com alguns amigos, e entraram quatro garotos (de cerca de 8 a 10 anos) passando de mesa em mesa pedindo lanches ou batatas que estivessem sobrando. Algumas mesas deram-lhes batatas, e os quatro se sentaram em uma mesa próxima da que eu estava. Me levantei e fui sentar com eles para conversar. Conversa vai e conversa vem, perguntei a eles o que queriam ser quando crescessem, e a resposta foi unânime: bandido. Aquilo me chocou, mas tive que manter a calma para continuar conversando. Falamos sobre o assunto, e após algum tempo, os quatro mudaram o que queriam ser: três disseram policial e um disse bombeiro. Apesar da mudança drástica, ainda são profissões que envolvem perigo – e no caso de policial, ainda podem matar pessoas. Essa é a realidade que eles tem vida, é com isso que eles convivem e conversam no meio em que vivem. Conversei mais um pouco, falei sobre outras profissões, sobre ser engenheiro, ator, qualquer outra coisa. Foi uma conversa bacana.

Na minha visão, esse é o tipo de coisa que precisa ser combatido. Essas crianças não precisam que alguém lhes dê dinheiro ou comida (apesar dessas coisas serem essenciais), mas sim que alguém lhes apresente uma opção de futuro diferente. Essas crianças precisam ter a oportunidade de serem tratadas como indivíduos, e não apenas como um número no SENSO ou nas páginas policiais.

E qual a solução para isso?

Ano passado fui assistir a uma peça de teatro de alguns amigos. A peça era uma adaptação de Romeu e Julieta, apesar de se chamar Isso não é mais uma adaptação de Romeu e Julieta. A peça tinha esse nome porque apesar de ter Romeu e Julieta como pano de fundo, eles não eram a principal mensagem da noite. Houve uma cena na peça que me marcou demais. Romeu (representando a direita), conversando com Julieta (representando a esquerda), olha para sua amada que lhe pede uma prova de amor. Ela propõe a seguinte situação: Há uma família pobre, mas que duas pessoas dessa família são um pouco mais bem sucedidas. A família possui apenas um pão para comer e dividir entre todos. Sua família (família de Romeu) daria o pão para o casal mais rico, assim eles viveriam e poderiam dar continuidade na família. Minha família (família de Julieta) dividiria o pão em partes iguais para todos, o que não seria suficiente para ninguém e todos morreriam juntos. Então Julieta pergunta a Romeu o que ele faria, e a resposta é: Eu abriria mão de minha parte para dar aos outros!

O que Romeu propôs chama-se sacrifício, e se querem saber qual a minha opinião sobre tudo que apresentei acima, é que apenas através do sacrifício é possível mudar a realidade dessas crianças e desse país. Não estou dizendo que você precisa se sacrificar a ponto de morrer de fome dando toda sua comida aos pobres, mas sim um sacrifício a ponto de abrir mão de seu próprio conforto para melhorar a vida de outra pessoa. Um sacrifício a ponto de deixar de descansar um final de semana para tentar dar sabor à vida daqueles que tem sentido apenas amargura há muito tempo.

Então, apesar de eu ter começado o artigo falando sobre eu ser de direita, e apesar do título ser Vamos falar sobre política, a atenção que quero chamar é para algo muito maior do que discutir sobre direita ou esquerda, sobre Fora Dilma ou Fora Temer ou qualquer outra coisa relacionada. Quero chamar sua atenção para dizer que o maior fator de mudança que esse país pode ter, é você mesmo. Quero que esse artigo seja um convite para que você se torne um agente transformador. Se não sabe por onde começar, pesquise sobre ongs perto de sua casa, tenho certeza que muitas delas precisam de voluntários. Viva esse sacrifício transformador, independente de credo, classe social, religião ou posição política. Fica aqui um convite a você, e se quiser compartilhar alguma coisa, deixa aí nos comentários.

E para encerrar, claro que não temos como falar de sacrifício sem que isso nos remeta à cruz de Cristo. Foi o sacrifício na cruz nos deu liberdade para escolher entre sim e não. Que possamos dizer mais nãos às coisas que beneficiam apenas nosso umbigo e mais sins às coisas beneficiam nossa comunidade.

Se você chegou até aqui, meu muito obrigado pela paciência. Quero deixar claro que tudo escrito aqui representa minha visão de mundo, e não é minha intenção impo-la como verdade para ninguém.

Que Deus te abençoe!

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